27/05/2008, São Paulo – Henry Krokatsis
O artista britânico Henry Krokatsis em sua primeira exposição individual no Brasil, na Galeria Leme.
Krokatsis apresenta no Project Room da Galeria Leme um grupo de obras feitas com peças abandonadas que o artista recolhe e transforma. Estas obras, embora aparentemente diversas na forma, partem de um mesmo ponto: um ato de fé em falência.
Os restos descartados de 1.999 velas votivas usadas e recolhidas de igrejas da cidade de São Paulo, assim como do interior do Estado, são derretidas e remodeladas como uma Nossa Senhora duplicada, uma ereta, outra invertida, ambas fundidas.
Krokatsis reconhece nestas velas acesas por votos de esperança e invocações um intenso ponto de encontro entre o metafísico e o material. Ao duplicar a forma, o artista cria um tenso equilíbrio entre a presença física do novo objeto e sua antiga e singular natureza icônica.
Espelhos encontrados abandonados ou comprados em mercados de peças usadas são meticulosamente cortados, encaixados um ao outro e pendurados na parede. Desta maneira Henry Krokatsis desenvolve uma peça a partir de objetos que penetra nos domínios da pintura e pode ser lida como um último grito de ordem formalista e minimalista. O aspecto esquizofrênico desta estética e a natureza do material usado, no entanto, emprestam à peça uma beleza fragmentada, um momento de ruptura libertadora.
Junto a estas duas peças, Krokatsis apresenta também desenhos feitos com o depósito de carbono contido em panos queimados. Com esta técnica surpreendente, o artista cria evocações poéticas e etéreas que parecem saltar à vista como fotografias que emergem do processo de revelação.
Henry Krokatsis utiliza objetos familiares, retirados da obscuridade, para desenvolver peças que não podem ser absorvidas com facilidade. Seu trabalho, não importa qual a forma tomada, emite um zumbido de psicose lírica de baixa intensidade, uma vez que explora o limite entre o divino e o miserável.
Henry Krokatsis Período: de 27 maio até 28 junho 2008 Local: Galeria Leme (Rua Agostinho Cantu, 93 – São Paulo) Horário: de Seg a sex, das 10h às- 19h / sáb das 10h às 17hInformações: (11) 3814.8184 ou info@galerialeme.com ou www.galerialeme.com
27/05/2008, São Paulo – O Sonho da Onça é ter um Casaco de Pele de Puta
Em todas as obras, artista recorre à idéia de exotismo como questão de identidade e pertencimento sociocultural, filtrado quer pela sensibilidade de quem o elabora quer pelo contexto histórico-cultural da sua produção e posterior recepção.
Neste novo projeto, desenvolvido especialmente para a Galeria Leme, João Pedro Vale apresenta peles de animais imaginários feitas com guardanapos de papel coloridos, além de três pinturas feitas com plasticina que reverenciam o modernismo brasileiro.
Para João Pedro Vale, a idéia de pele tem vários significados. O mais importante para o artista, no entanto, é pensar a pele como forma de catalogação e diferenciação da espécie humana por um lado e por outro, como forma de falar sobre a miscigenação e sua importância na cultura brasileira.
As três pinturas, por sua vez, enfatizam cada uma à sua maneira, a questão da cor da pele. São interpretações livres de “Antropofagia”, de Tarsila do Amaral, “O Homem de sete cores”, de Anita Malfatti e “Cinco moças de Guaratinguetá”, de Di Cavalcanti, ícones do modernismo brasileiro. Tais livres interpretações dialogam de maneira complementar e ao mesmo tempo complexa com as peles de guardanapo de papel, direcionando o espectador à leitura das peles pretendida pelo artista e levantando questões de caráter ambíguo.
O trabalho de João Pedro Vale tem-se caracterizado pela reflexão em torno da idéia de identidade nacional e dos mecanismos responsáveis pela sua construção. O artista recorre inúmeras vezes a episódios históricos e mitologias do seu país para questionar a forma como estes foram utilizados em relação à situação política vigente, que enaltece ou ignora determinados acontecimentos conforme eles possam servir ou não à determinados propósitos ideológicos. Dada a relação entre Portugal e Brasil é inevitável que surjam projetos que reflitam sobre questões relacionadas com as situações socioculturais dos dois países.
Se em “Bonfim” (2004), apresentado na Estação Pinacoteca em 2005, se refletia sobre a idéia de viagem e trocas iconográficas e religiosas entre os dois países, já “Misericórdia” (2005) era apresentada como uma ironia às trocas comerciais entre metrópole e colônia e à exploração do ouro do Brasil. Outro exemplo desta abordagem é “Foi Bonita a Festa, Pá!” (2006), uma jangada de madeira, toda incrustada de cravos de plástico, garrafas da cerveja portuguesa Sagres e suas tampinhas, primeira apresentação do artista na Galeria Leme, uma alusão aos regimes ditatoriais vividos por ambos os países.
O Sonho da Onça é ter um Casaco de Pele de Puta Período: de 27 maio até 28 junho Local: Galeria Leme (Rua Agostinho Cantu, 88 – São Paulo) Horários: seg a sex das 10h às 19h / sáb das 10h às 17hs Informações: (11) 3814.8184 ou info@galerialeme.com ou www.galerialeme.com
