06/06/2008, São Paulo – Religiosidade na arte brasileira

A religiosidade e a arte estão intimamente relacionadas. Uma faz parte da origem da outra e nela se manifesta.
Forças da natureza, como o sol, a chuva, o trovão, o relâmpago sempre exerceram um grande fascínio sobre o homem, principalmente os povos primitivos. Por não compreenderem estes fenômenos, acreditavam que eram deuses e que podiam intervir na vida dos homens. Conseqüentemente, deveriam ser venerados e cultuados, como forma de atrair sua proteção. Este é o fundamento do animismo, que pode ser considerado a primeira manifestação religiosa do ser humano.
No Brasil, a religiosidade está presente em todas as formas de manifestação artística. Os povos indígenas expressam nas esculturas e ornamentos os espíritos da floresta. Os escravos demonstravam sua fé em suas pinturas e peças. Das primeiras obras barrocas às mais recentes criações. Também faz parte das imagens de santos que ornam as igrejas coloniais e nas pinturas que retratam o candomblé. “Este sincretismo religioso é reconhecido como uma das características do nosso povo, pela sua própria formação”, destaca Roberto Rugiero, marchand e diretor da Galeria Brasiliana. A arte é sempre a melhor forma de expressão da fé. “São obras que emanam de causas mais profundas, brotam imperiosas”, completa Rugiero.
Para levar ao público as principais obras de arte que representem essas e outras simbologias, a Galeria Brasiliana realiza a partir de 06 de junho a mostra “Religiosidade na Arte Brasileira”. Entre os artistas, alguns que se expressam somente por temas religiosos, Jadir João Egidio (arte em alto-relevo, como as Santas Ceias), Geraldo de Andrade (pinturas em óleo sobre tela – Arcanjos e a Arca) e o neo-barroco José Joaquim da Silva, o Zezinho de Tracunhaém, com esculturas que chegam a medir dois metros de altura.
Religiosidade na Arte Brasileira De: 6 de junho a 18 de julho Segunda a sexta-feira das 10h às 18h e aos sábados das 10h às 16h Local: Galeria Brasiliana (Rua Arthur de Azevedo, 520, São Paulo/SP) Informações: Tel. (11) 3086-4273 / www.galeriabrasiliana.com.br Entrada gratuita.
06/06/2008, Rio de Janeiro – Vai que nós levamos as partes que te faltam
Em retrospecto, a obra de Daniel Senise se mostra como uma das mais férteis entre os artistas surgidos nos anos 80.
De uma preocupação inicial com a construção da imagem enfatizando os seus meios pictóricos explícitos – e a sua fatura de início foi uma das mais excepcionais entre os artistas de sua geração –, e conjugando um imaginário a um tempo atual e arcaico, ele se firmou de imediato como um dos mais pintores mais extraordinários daquele momento. Mas não parou aí: a qualidade de sua obra foi-se direcionando cada vez mais para o exercício de um virtuosismo em tudo positivo, como se dominar a pintura em seu sentido estrito (os meios específicos do pincel, da tinta e da tela) não fosse bastante. A dúvida se impunha como princípio ordenador de seu trabalho a cada nova exposição (e, diga-se de passagem, elas eram cuidadosamente pensadas).
O panorama (não uma retrospectiva) aqui apresentado deixa claros os recursos de que ele se valeu ao longo dos anos para pensar, não tanto uma prática artesanal – que ele domina como poucos –, mas uma reflexão sobre o que significa ser um artista e ser um pintor. Os recursos utilizados, as idéias neles contidas, as manobras visuais são de tal ordem díspares que, à primeira vista, o conjunto se assemelha a uma experimentação quase gratuita: basta contudo um momento de reflexão para perceber a consistência com que, ao longo destes mais de 25 anos de atividade, sua inteligência foi dirigida para o questionamento de uma profissão e de uma vocação. Os princípios que deveriam orientar a sua pintura (ou qualquer pintura) foram sistematicamente colocados à prova e revistos, e qualquer tentação ao acomodamento, colocada de lado.
Antes de oferecer o esperado e o convencional, ele nos apresenta com o problemático e o questionador, deixando ao espectador a tarefa – sempre grata – de poder ir além do conhecido e do tranqüilizador. A intranqüilidade, esta é certamente uma das tarefas a que a arte ainda nos pode transmitir sem descrédito.
Vai que nós levamos as partes que te faltam Data: de 06 junho a 20 julho de 2008 Local: 2º andar do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Av Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo – Rio de Janeiro)
