03/10/2008, São Paulo - Luiz Zerbini: paisagemnaturezamortaretrato

As telas agora expostas foram finalizadas com a aplicação de uma tinta capaz de dar um sentido pragmático à ambigüidade do termo “refletir” no campo pictórico.
Ao serem penduradas e expostas, passam a estar reinvestidas automaticamente das qualidades indisputáveis atribuídas a quaisquer quadros, mas com uma capacidade incomum de incorporar de uma maneira efetivamente impessoal gêneros que satisfazem gostos diversos, como a paisagem, a natureza morta e o retrato.
Luiz Zerbini: paisagemnaturezamortaretrato
Data: de 03 de outubro até 16 novembro
Horários: ter a sex, das 12h às 21h / sáb, dom e feriados, das 10 às 18h
Local: Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque, São Paulo/SP)
Informações: 3255-7182 – ramal 38
Entrada gratuita
03/10/2008, São Paulo – Jac Leirner: osso 008

Já foi amplamente notado e anotado que boa parte dos trabalhos de Jac Leirner lida, desde os anos 80, com material comum, originalmente projetado para funcionar em circuitos de trocas simbólicas, sejam cédulas, cartões pessoais ou sacolas. Ao deparar com eles é quase inevitável não recompor percursos, redes, longas linhas de circulação.
Quanto não terá andado cada uma dessas sacolas expostas no Maria Antonia, das mais variadas proveniências e de tempos distintos, até que fosse dedicadamente selecionada, recortada, costurada com enchimento e disposta em caixa de acrílico, com cuidado – e alguma perversidade – numa espécie de taxidermia do inorgânico?
Desinfladas de sua função portátil e comunicativa, seqüestradas de sua vida efêmera entre o brilho e o lixo, para serem reconduzidas à planaridade primeira de embalagem seriada, guardam ainda um resto de tridimensionalidade e são agora atravessadas pela sugestão de outro espaço – diferente daquele traçado pelas linhas também imaginárias que percorreram – espécie de passagem que ligaria este nosso lugar de contemplação a muitos outros, alguns sem saída.
De outro ponto de vista, em seu balanço entre conceito e coisa barata, ironia e apuro formal de uma certa arte moderna (de Klee a Fontana, p. ex.), poderiam estar sorrindo aos nossos movimentos em falso. Assim, vazadas, sem nomes, logos, endereços, postam-se interpelativas, no limiar do nosso reconhecimento. Seria o caso de perscrutá-las com o olho clínico que pedem os objetos de arte ou de tratá-las com o carinho meio desconfortável que devotamos a alguns itens específicos entre a coisarada que nos rodeia? Também aqui, olhar e pensamento pendem.
João Bandeira
Jac Leirner: osso 008
Data: de 03 de outubro até 16 novembro
Horários: ter a sex, das 12h às 21h / sáb, dom e feriados, das 10 às 18h
Local: Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque, São Paulo/SP)
Informações: 3255-7182 – ramal 38
Entrada gratuita
03/10/2008, São Paulo – Laerte Ramos: territórioland
Uma frota de barcos de guerra, modulares, à maneira dos jogos de batalha naval; uma “patrulha de resgate” médico, composta de misteriosos soldados-caixa; uma improvável esquadrilha de “falsos” aviões de papel e montanhas com cumes removíveis e rampas projetando-se de seu interior.

São estes os curiosos protagonistas de Territorioland. Em comum, mais imediatamente o fato de serem todos objetos confeccionados por meio de técnicas de cerâmica. Não exatamente uma instalação, conformam-se como pequenos conjuntos de objetos, contaminando-se mutuamente mas resguardando certa autonomia em sua fisionomia peculiar, marcada pela estranheza e pela estilização elegante que caracteriza a produção gráfica do artista – aqui também representada por xilogravuras.
Laerte Ramos: territórioland
Data: de 03 de outubro até 16 novembro
Horários: ter a sex, das 12h às 21h / sáb, dom e feriados, das 10 às 18h
Local: Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque, São Paulo/SP)
Informações: 3255-7182 – ramal 38
Entrada gratuita
03/10/2008, São Paulo – Guto Araujo: vazio

Guto Araújo extrai múltiplas imagens da fachada de um prédio. A duplicação do espaço, janela virtual sobre as paredes, remete à expansão temporal na medida em que os acontecimentos passam a uma velocidade superior à da experiência vivida.
O olhar do observador se alterna com os enquadramentos e nessa variação sua beleza se molda. Remete à visão contemporânea, fragmentada, mediada pelas novas tecnologias. Ao contrário da Janela Indiscreta de Hitchcock, em que o observador intervém na cena do crime, o voyeur é impotente frente ao curso do tempo. Porém, as imagens revelam uma riqueza visual que atribui uma dimensão estética ao cotidiano, do contrário, o trabalho celebraria simplesmente a tragédia nossa de cada dia. As imagens editadas denotam a presença do sujeito que monta e remonta os quadros. A memória é seletiva, assim como a montagem, recortamos e recordamos pedaços de tempo. Vazio está mais para o Warhol cineasta do que para Eisenstein. Em Empire (Warhol, 1964), a ação é realizada pelo movimento do próprio filme, o principal registro é o tempo do filme, o sujeito se dissolve na máquina. Mas sempre há resquícios da experiência humana e a obra se faz mediante o olhar do observador. As impressões visuais multifacetadas de Vazio surgem de seus momentos distintos. Embora possamos ver várias pessoas, o vídeo remete a um olhar solitário, distante, nostálgico. Aqui, há vários lugares possíveis, mas não sabemos onde estamos ou que horas são. As ações se anulam pelo excesso de acontecimentos, o vazio se dá pelo acúmulo. Um observador solitário perdido no meio da multidão, como em Baudelaire, o anônimo que nunca se sentiu tão só.
Marco Gianotti
Guto Araujo: vazio
Data: de 03 de outubro até 16 novembro
Horários: ter a sex, das 12h às 21h / sáb, dom e feriados, das 10 às 18h
Local: Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque, São Paulo/SP)
Informações: 3255-7182 – ramal 38
Entrada gratuita
03/10/2008, São Paulo – Elisabete Savioli: das horas
Deve ser a única janela de uma sala pequena e, talvez, o ponto de vista de quem sai do quarto ou da cozinha.

A seqüência narra a passagem do tempo, embora não seja possível medir o intervalo que separa uma cena da outra. Os enquadramentos indicam a presença de alguém no mesmo lugar em dias diferentes, ou em momentos distintos de um mesmo dia. Mostram um espaço íntimo onde o contorno das coisas é impreciso e o tempo indeterminado.
Elisabete Savioli conjuga procedimentos mecânicos e artesanais tendo como resultado imagens que, sobretudo pela aparência marcante do papel fosco, se impõem também como matéria. Seu trabalho dá continuidade aos processos de produção da fotografia moderna, mas suas obras não derivam do mesmo otimismo em relação à máquina que caracterizou aquela época. A potência da fotografia moderna se originava no pressuposto de que a vontade do indivíduo devia se impor sobre o aparelho e criar uma imagem capaz de transformar a percepção e, conseqüentemente, a realidade.
A série de janelas contra-luz sugere um estado de torpor de quem reflete sobre o próprio ato. A sala é mostrada como uma câmara obscura na qual a luz entra com brutalidade dificultando a visão. Há pouca informação. É possível perceber um quadro à esquerda, mas dele só se vê a moldura, enquanto em cima da mesa, a cada foto, há mais ou menos objetos. Savioli não tem a intenção de se impor. Procura situações anódinas que se configuram como momentos de pausa. Sua presença é discreta, como se observasse o mundo de relance.
Heloisa Espada
Elisabete Savioli: das horas
Data: de 03 de outubro até 16 novembro
Horários: ter a sex, das 12h às 21h / sáb, dom e feriados, das 10 às 18h
Local: Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque, São Paulo/SP)
Informações: 3255-7182 – ramal 38
Entrada gratuita
03/10/2008, São Paulo – Ritual Íntimo
Baseado em contos de João Silvério Trevisan.

Uma cama de seis metros quadrados centraliza o olhar do espectador no espetáculo Ritual Íntimo. Em cena, essa cama vira tudo. Batizada de Cama Casa Tudo, ao longo da peça vai se transformando em bar, lavanderia, rua… Ritual Íntimo participou da última edição do instigante festival Porto Alegre em Cena – 2008, e volta a São Paulo com saldo positivo de sua passagem pela capital gaúcha.
Baseada em contos de João Silvério Trevisan a peça traz uma visão contundente sobre as relações amorosas nos dias de hoje.
Ritual Íntimo
Data: de 3 a 25 de outubro
Horários: Sextas e sábados, 21h
Local: Espaço dos Satyros 1 (Praça Franklin Roosevelt, 214 – São Paulo/SP)
Mais info: (11) 3258 6345
Ingressos: R$20 e R$10 (estudantes)
Recomendação: 14 anos
Gênero: Comédia dramática