13/06/2008 – Estréia de ‘Um Homem Perdido’
O filme discute a questão da identidade.

Filme da diretora Danielle Arbid tematiza as relações do homem globalizado consigo mesmo.
Sem fazer comparações de nível estético, existe um quê de Passageiro: Profissão Repórter neste Um Homem Perdido, de Danielle Arbid. A diretora, libanesa radicada na França, faz um filme de andança, que se desloca por Beirute, passa pela Síria e termina em Amã, capital da Jordânia. Um filme que não deixa de ter seus encantos e mistérios.
O filme tem essas ressonâncias, e que atravessam uma questão central dos tempos modernos, a da identidade, tematizada como nunca no clássico de Antonioni interpretado por Jack Nicholson. Mas, claro, essa aproximação temática é tudo o que os filmes têm de próximo. Mesmo porque a rarefação proposta por Danielle não se resolve nem se aprofunda, como acontece no filme do mestre. Pelo contrário, a seqüência das imagens torna-se repetitiva e muitas vezes confusa, o que acaba atenuando o impacto do filme. Que, mesmo assim, não deixa de ser interessante.
13/06/2008 – Estréia de ‘Lírios d’Água’
O nascer da sexualidade com delicadeza.
No longa francês de Céline Sciamma, é retratado um olhar ingênuo sobre a fase conflituosa da adolescência.

Em torno do nado sincronizado, o desejo desperta entre mocinhas. É mais ou menos do que trata este Lírios d’Água, produção francesa dirigida por Céline Sciamma.
Nessa história sobre o nascer da sexualidade vê-se um olhar delicado, mas também ingênuo sobre essa fase conflituosa que é a adolescência. Marie (Pauline Acquart) é a garota de 15 anos louca para fazer parte da equipe de nado sincronizado. Ela é amiga da gorducha Anne (Louise Blachère), mas, para entrar no time, tenta se aproximar da beldade da turma, a egóica Floriane (Adèle Haenel).
As três são muito diferentes. Anne é rechonchuda e complexada; Marie é magricela e tímida; Floriane, em aparência, é desenvolta e experiente. No fundo, as três têm mais em comum do que pensam. São todas inseguras, não parecem ter qualquer consciência do corpo que se desenvolveu rápido demais, e aspiram à sexualidade. Às vezes porque de fato a desejam. Outras, porque parece ser o destino de toda garota de 15 anos.
O fato de Céline filmá-las quase o tempo todo no ambiente das piscinas agrega sensualidade à história. Aqueles corpos jovens estão em contato com a água, desnudam-se no vestiário, olham-se entre si. Formamos o corpo próprio pelo contato com o outro e sob o seu olhar, dizem os psicanalistas. No entanto, essa constatação parece mais intuitiva e menos refletida em Céline. Não deixa de ser estréia promissora dessa cineasta. Mostra que ainda tem muito caminho a percorrer.
13/06/2008 – Estréia do filme brasileiro ‘Valsa para Bruno Stein’
O drama de uma família rural.

O drama Valsa para Bruno Stein, estréia em São Paulo e Rio de Janeiro e marca a volta do veterano ator Walmor Chagas aos cinemas, depois de uma ausência de cinco anos.
O filme, dirigido e roteirizado por Paulo Nascimento (Diário de um Novo Mundo), foi um dos competidores do Festival de Gramado 2007, de onde saiu com o prêmio de melhor atriz para Ingra Liberato.
Valsa para Bruno Stein é uma adaptação do livro homônimo de Charles Kiefer.
Valsa para Bruno Stein representa uma sensível evolução para o diretor e roteirista Paulo Nascimento. Não é ainda um diretor maduro mas, ainda assim, este novo trabalho tem integridade como cinema acessível a grandes platéias.
Walmor estreou no cinema no elogiado São Paulo S/A (1965), de Luiz Sergio Person. Antes de Valsa, seu último filme havia sido Histórias do Olhar, de Isa Albuquerque, em 2002. Bodas de Papel foi filmado depois de Valsa para Bruno Stein, mas chegou aos cinemas antes, em abril.
13/06/2008 – Estréia do documentário brasileiro ‘1958 – o ano em que o mundo descobriu o Brasil’
Documentário de José Carlos Asbeg celebra os 50 anos da conquista da Copa do Mundo na Suécia.
1958 foi um ano muito especial. Tudo parecia acontecer ao mesmo tempo – bossa nova, Éder Jofre, Maria Ester Bueno. Um presidente, também ”bossa nova”, Juscelino Kubitschek, mais conhecido pela sigla JK, que prometia 50 anos de progresso em cinco de mandato. Havia Brasília, a ”novacap”, em construção. E, no meio do ano, chegou o grande presente para o País – a primeira vitória numa Copa do Mundo, essa cobiçada conquista simbólica na qual o Brasil havia falhado em várias ocasiões: em 1938 quando, com Leônidas, formou sua primeira seleção competitiva. Em 1950, quando perdeu a decisão, no palco de um Maracanã lotado com 200 mil torcedores, para o raçudo Uruguai. Em 1954, quando caiu diante do incrível time húngaro.
Essas derrotas, em especial a de 1950, teriam inoculado no povo brasileiro o vírus daquilo que Nelson Rodrigues, genialmente, chamava de ”complexo de vira-latas”, um proverbial e incurável complexo de inferioridade, uma paralisia aguda diante de desafios, que se expressava diretamente no futebol. Pois bem, a seleção, que mais uma vez saiu desacreditada do Brasil, deu a volta por cima e encantou o mundo na Suécia. Venceu com um futebol de sonho, alegre, belo e eficaz, que fluía dos pés de Didi, Pelé, Garrincha & cia. A conquista da Taça Jules Rimet em Estocolmo representou, segundo o mesmo Nelson Rodrigues, a redenção de todo um povo. Mais prosaicamente, funcionou como cartão de visita da nação brasileira diante da comunidade internacional. Essa é a saga apresentada no documentário 1958 – O Ano Em Que o Mundo Descobriu o Brasil, de José Carlos Asbeg. O filme chega exatamente 50 anos após essa conquista histórica – o primeiro dos cinco títulos mundiais brasileiros.
13/06/2008 – Estréia do filme ‘O incrível hulk’
Elenco da nova aventura contará com atores de peso como Edward Norton, Tim Roth, William Hurt e Liv Tyler.

A aventura, que será estrelada pelo ator Edward Norton, duas vezes indicado ao Oscar, é baseada na história em quadrinhos que relata as proezas de Bruce Banner, cientista que se transforma num gigante verde. O elenco conta também com Tim Roth, William Hurt e Liv Tyler.
O Incrível Hulk será dirigido por Louis Leterrier, cineasta francês cujos filmes anteriores incluem a aventura de ação Carga Explosiva.
13/06/2008 – Estréia do filme ‘Fim dos tempos’
No novo longa de M. Night Shyamalan (diretor de Sexto Sentido), a natureza parece se rebelar contra milênios de exploração dos humanos.

Nos últimos dez anos, os filmes do diretor M. Night Shyamalan viraram uma espécie de fenômeno pop. Suas resoluções são mais importantes do que toda a narrativa, levando os espectadores a descobrir apenas nos minutos finais a explicação para toda a bizarrice vista até então.
O longa-metragem cria um tema inusitado que necessitará de uma explicação nada plausível para a sua conclusão. A natureza parece estar se rebelando contra os milênios de exploração e descaso dos humanos. Assim, coisas estranhas acontecem sem aviso, como mortes assustadoras e fenômenos inexplicáveis.
Em seus filmes, que, às vezes, podem ser interpretados como alegorias, as explicações podem não fazer muito sentido. Para ele, e para o público que o admira, o que importa é a sua carta na manga: a reviravolta final. Isso começou com o sucesso de O Sexto Sentido (1999) e foi – cada vez com bilheterias menores – até seu recente A Dama na Água (2006).
Fim dos Tempos
Nome orginal: The Happening
Duração: 96 min
Gênero: Suspense
Classificação: 16 anos
Cotação: Regular
13/06/2008 – Estréia do filme ‘A Outra’
Na extensa linhagem de filmes sobre as intrigas da corte inglesa, “A Outra” ocupa posição pouco privilegiada.
O longa-metragem de Justin Chadwick (que despontou em minisséries da BBC) soa encabulado até quando comparado à série de tevê “Os Tudor”, que não poupou detalhes apimentados para narrar as peripécias da dinastia que controlou a Inglaterra por 118 anos (entre 1485 e 1603).

Em escolas britânicas, o reinado de Henrique VIII e de Elizabeth I é lembrado como o período em que um país fragilizado se afirmaria como nação. Mas, para o cinema, a política ainda parece um tema irrelevante perto do arsena
l de escândalos sexuais e traições que esquentaram as ligações entre nobres despudorados e plebeus aflitos por ascensão social.
Tal como o recente Elizabeth – A Era de Ouro, A Outra não reflete sobre o complexo jogo de interesses
que alavanca fatos históricos. Contra esse tipo de complicação, prefere o aconchego do folhetim. Os personagens são reduzidos a símbolos superficiais. Já as situações da trama são despejadas com o ritmo acelerado de um seriado, para ser admirado mais por uma fotografia barroca (de Kieran McGuigan) que pelo roteiro frágil de Peter Morgan (surpreendentemente, o mesmo autor do sóbrio A Rainha).